2016, não volte mais - Irreverência Baiana
576
post-template-default,single,single-post,postid-576,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,,qode-title-hidden,qode_grid_1300,hide_top_bar_on_mobile_header,qode-content-sidebar-responsive,transparent_content,qode-theme-ver-1.0

2016, não volte mais

Não tenho a menor dúvida de que 2016 será um ano que dificilmente lembraremos sem pesar. Bem no íntimo sentimos indignação pelo ano que passou. Alguns querem esquecer, antes mesmo do ano acabar. Um ano atrapalhado ou atropelado, cheios de fatos temerosos e entristecidos.

Dizemos adeus ao ano findo com sensação de que jamais teremos um país socialmente justo, economicamente sustentável e politicamente honesto. Aliás, honestidade foi o que menos encontramos. Uma batalha travada entre a justiça e as dezenas de abutres. Em partes vitória: um ex-governador e sua esposa gozando da ceia de natal atrás das grades, bem como o maior empreiteiro no xilindró. Duvidava que pessoas abastardas e poderosas fossem presas por corrupção. Há muito a fazer, porém inegável que bastante já foi feito.

Vivemos todos os sinais de tempos estranhos: o impecheament, estados falidos, trabalhadores com direitos limitados, as votações genuinamente interesseiras. A democracia está em crise. O governo presenteando milhares cidadãos com um calote incalculável.

Nitidamente, estamos no início de uma nova era. Absorvidos na época que o medo e a raiva estão gravados em cada um de nós. Onde a homofobia, a xenofobia, o racismo e a intolerância das mais diversas formas foram capas sangrentas de jornais.

Para além do Brasil: Bélgica, Paquistão, Líbia, Síria, Iraque… Nem o Haiti ficou de fora. Centenas de mortos, cidades devastadas! Ora por extremistas, ora pela fúria da mãe natureza.

E quem diria, o extremista magnata Donald Trump assumindo a casa branca. . A Colômbia recebendo um Nobel de paz. A certeza de que o mundo está realmente de ponta cabeça.

2016 criou lacunas assombrosas em cada um de nós. Perdas dolorosas e significativas Um ano em que as pessoas tentam manter a sua dignidade, após perder o emprego. A única certeza que eu tenho é que estamos à margem de um novo tempo.

Mas 2016 não têm culpa alguma, dono de um número redondo, par, tinha tudo para dar certo. Somos nós que escrevemos a história. De tudo, um desejo imenso para que o ano impar nos sacuda e realinhe o trem no seu trilho. Até daqui a pouco!  2017 será o ano da reconstrução e esperança.

Juliana Soledade

Crônica produzida para o Jornal A Região publicado no dia 31 de Dezembro de 2016.

No Comments

Post A Comment