23 de Janeiro de 2015 - Irreverência Baiana
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23 de Janeiro de 2015

Oito anos, Maria. E fui eu que nasci de novo naquele 14 de julho. Pegar você no colo parece impossível, mas eu consigo lhe ajeitar no colo, sentada na cama, digo o mesmo do imenso amor que carrego. Primeiro fui ajeitando no coração, depois precisei ajeitar em cada membro, cada órgão, cada pedacinho do meu c10801675_765924403483343_5662286312318574865_norpo, hoje não cabe mais dentro de mim, agora eu que vivo neste amor.

Hoje dormimos juntas, é raro, mas você precisava do meu cuidado, de apertar a mãozinha na minha, de sentir o rosto coladinho no seu, e
em alguns momentos subiu por cima de mim com o seu jeito estranho de dormir. Você precisava sentir que esse amor todo que eu sinto te invadisse na madrugada adentro, mesmo abrindo os olhinhos marejados e febril, perceber que eu velava o seu sono, e perguntar: ‘- O que houve mamãe?’, e eu nada respondo, apenas dou um leve sorriso, e te ponho a dormir novamente, verificando a temperatura e te besuntando de mais vaporizador para acalmar a tosse insistente.

Acordamos agarradas, dividindo a coberta, o travesseiro e o amor. A voz ainda rouca pergunta se eu dormir bem, o mesmo questionamento que iria fazer. Mas sim, alternando com leves cochilos e uma preocupação desmedida com uma criança adoentada, eu disse que sim. Você me beijou no rosto, roçou o nariz e se acomodou em meu peito, era como se eu matasse a sede com água limpa e fresca da melhor qualidade.

O dia segue de um lado uma criança com febre, tosse e a palavra mais doce espalhada em nossos passos: mamãe. Do outro, uma mãe exposta em seus mais profundos sentidos, rigorosamente consciente do equilíbrio necessário, entre o medo e tentativa da inteireza da maternidade.

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