AQUELE MACHISTA? - Irreverência Baiana
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AQUELE MACHISTA?

A gente só precisa de quem nos faz bem perto de nós. Não importa se o parceiro é rotulado como machista, bolsominion ou mais forte que você. Se te respeita e te reconhece enquanto mulher, se brinda paz e o abraço lhe traz segurança, se joga amiga. Conceda ao seu coração a oportunidade de que tanto precisamos: a felicidade com calmaria!

As pessoas nos moldam, a sociedade nos coloca em uma forma única; as capas de revista são uníssonas, as novelas disseminam um estereótipo e as relações são cada vez mais líquidas. O óbvio está exposto nos relacionamento atuais: muita intensidade com aventuras inenarráveis e um mar de desconfiança entre ambos. Afinal, são tantos micros relacionamentos que qualquer pequeno furo já pode ser um sinal para abandonar o barco, ao invés de consertar a embarcação.

Outro disse uma amiga que namorava um rapaz que já havia conhecido tempos atrás, o reconhecimento de quem se tratava foi motivo de um berro ensurdecedor: “AQUELE MACHISTA?”. Confesso que em um minuto me senti sentada no tribunal do júri com um promotor desferindo acusações por me deixar levar num relacionamento com um machista, mas pontuando intimamente cada característica de nossa convivência de forma cartesiana e extremamente racional, abandonei as culpas. O “machista” que minha amiga sequer conhece me faz feliz, provoca borboletas na barriga, apoia meus projetos e me reconhece enquanto mulher.

Percorrendo por Portugal, aprendi que se reservar é um ato de sabedoria, mas calar pode ser visto como ignorante por aqui. Mesmo assim, Preferi não apresentar as minhas impressões afinco sobre essa relação, sinalizei somente que estava feliz e recusei maiores questionamentos.

Não consigo acreditar em amores perfeitos, onde ambos se encontraram completamente prontos um para o outro. Não acredito em amores que vivem como os EUA e a Coreia de Norte, anunciando guerras e disparando bombas constantemente. O amor não tem molde, não tem forma e muito menos fórmulas prontas. Acredito nos amores honestos. E, somente com honestidade que se entregam e acreditam que vai dá certo, porque vai!

Quando o outro realmente tem uma importância em nossa vida, vamos descobrindo que o machista para a amiga completamente feminista não tem a mesma característica para você, as intimidades não tem a menor necessidade de serem expostas, e caso seja, aquilo que lhe faz tão bem vai sofrer um julgamento coletivo moral absurdo sem ser solicitado. Tudo bem, por aqui seguimos o jogo: chamo ele de bruto e ele me chama de mimada, tocamos em frente e ninguém se sente ofendido, finalizo pedindo um beijo que o bruto prontamente atende.

O resultado é que de um relacionamento saudável o que mais importa é a forma como o outro encara sua mulher do que necessariamente as suas convicções pessoais. Que o machista nem sempre é esse modelo difundido por aí entre as convenções sociais. E que a possibilidade de fazer o outro feliz é algo completamente pessoal. Cada qual com as suas completudes, ainda bem! Vida que segue.

Juliana Soledade

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