Armadilha - Irreverência Baiana
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Armadilha

O beijo dele deve ser a pior das armadilhas, pensei depois de conceder mais um até logo. Parece uma emboscada sem volta, eu sigo sendo forte. Me segurando, me reprimindo e amargando. Eu queria me conceder o direito de me entregar sem medo, de surpreender. Ao mesmo tempo me arrependo de não pular no seu pescoço instintivamente.

Acredito piamente em paixões avassaladoras, dessas que roubam o nosso sono e a fome. Que nos desorientam. Que é capaz de suprimir os próprios medos rumo ao desconhecido. E paixão é exatamente isso: encarar o incerto com o peito acelerado, borboletas na barriga e um desejo incontrolável.

Esse jeito sereno e preocupado ao me procurar, a delicadeza de abrir a porta do carro. Esse perfume que gruda em minha roupa após cada abraço apertado. Os olhares envergonhados, mas sempre penetrantes… Instigantes. São tantos pontos a serem destacados, a cada momento me arrasta como uma onda violenta para cada vez mais perto do seu mar.

Espero o dia de poder mergulhar sem medo e sem grandes questionamentos. Preciso de que faça um sinal, de que troque todo esse zelo por um abraço mais ousado, que cochiche uma palavra mais quente em meu ouvido, que roube um beijo no meio do riso. Por favor!

Ou deixe-me provar o quanto a minha pele arde por essa urgência. Mãos, boca, língua, vontade, apertos, sexo.  beijoDeixe-me afogar em teu mar. Deixe-me ser a presa, porque quando o tesão se mistura com curiosidade nos torna inconsequentes, desproporcionais, instintivos e urgentes.

Essa significante espera tem sido um aprendizado, de fato. Saber dançar conforme a música é um exercício dificílimo. Lidar com educação e respeito entre desejos e vontades é desafiador. Resistir a sua inteireza tão encantada. E permitir sentir saudade daquilo que ainda não vivemos. Expectativa. Céu e inferno tudo no mesmo barco.

Continuo construindo esse desafio que é ‘reapaixonar’ a cada encontro, a cada colisão de olhares, a cada gesto que parece dizer algo mais, as minhas mãos suadas iguais ao resto do meu corpo.

Me acuse de clichê, de desatino, mas entenda, quero você. Quero os olhos fechados no primeiro beijo: saliva, língua, respiração descompassada. Quero que me prenda contra a parede. Me segure. Roube os meus sentidos e invada o que espera sedento por você.

Quero sim, para ontem, agora e para sempre!

Juliana Soledade

Publicação produzida para o Jornal A Região publicada no dia 26 de Novembro de 2016

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