A Colômbia no Brasil - Irreverência Baiana
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A Colômbia no Brasil

Acordei lendo um texto na rede social de um conhecido alegando que havia sido mais uma vítima da criminalidade, um bandido de posse de uma arma branca o feriu e carregou seu aparelho celular. Não há somente um dia em que acesse a mesma rede social à noite que não veja algum aviso de alguém que teve seus pertences carregados abruptamente pelo novo dono. E eu não tenho milhares de ‘amigos’ por aí. A estatística está em nossa cara.

Recentemente concluí um seriado Colombiano que agitou a web arrancando inúmeros elogios, embora o que mais me assombra é que o país vizinho nas décadas de 80 e 90 é semelhante ao Brasil de hoje, são níveis de violência assustadora em consequência do narcotráfico. Aprofundando a leitura sobre toda a selvageria da época, é fácil entender que o Brasil atual tende a desaguar na mesma água que a Colômbia.

Parece inacreditável, mas Pablo Escobar unido com o Cartel de Medellin conseguiu reprimir um país inteiro. O país foi metaforicamente posto de joelhos, ficando entregue ao poderoso chefão. Com o terror intimidou toda a nação e trinfou sobre o Congresso Nacional, conseguindo até alterar a legislação da época para não ser extraditado para os EUA; fazendo gancho a grande movimentação de xadrez dos políticos brasileiros para fugir de condenações.

Apesar do terror, Pablo conquistava a confiança pela simpatia em uma parcela da população, era visto como um salvador. Bem verdade que se tratava de um bandido populista, detinha a arte da manipulação e fazia-se entendido com as dores da coletividade mais humild
e. Um verdadeiro Robin Hood antagônico do século passado. E não se enganem, qualquer semelhança com o nosso país verde e amarelo não é uma mera coincidência.

Não eram apenas na parte mais carente que o Escobar possuía afinidade, as FARCs mantinham favores em troca de benesses. E aqui, as nossas FARCs tem outro nome, são ONGs, sindicatos e movimentos sociais que pouco trabalha para o bem comum.

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Juliana Soledade é especialista em Direito Processual Civil e Direito do trabalho, escritora, empresária e blogueira. Escreve aos sábados para o Jornal A Região.

Pouco antes da morte do narcotraficante, milhares de vítimas perderam sua vida, pessoas distintas que em muitos casos não tinha nenhum tipo de participação com o tráfico. Por lá foram explosões, mortes violentas, fugas e uma guerra declarada. E por aqui a guerra não é diferente, somente um pouco maquiada, afinal o óbvio é uma verdade dificílima de enxergar. É doloroso contabilizar a quantidade de policiais mortos no combate contra criminosos. É trabalhoso acreditar na quantidade de pessoas roubadas todos os dias para alimentar o tráfico. É muito mais inacreditável perceber que o Estado abana as suas mãos para a grande massa, principalmente quando tem a certeza de que o seu está bem protegido.

A nação colombiana começou a despertar quando a população foi obrigada a viver dentro de uma guerra declarada. Um duelo desleal entre o poder e o dinheiro versus vidas ceifadas. Inocentes vítimas de um mero capricho capitalista. E fico a me perguntar se precisamos de extremo para defender nossa pátria?

Estamos numa batalha devastadora. Estamos construindo pessoas imersas ao medo, descrença e insegurança. Os nossos governantes continuam deitados em berço esplêndido, enquanto nós pagamos a conta todos os dias. A Colômbia, meus caros, é aqui e agora.

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