Doce palavras - Irreverência Baiana
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Doce palavras

É muito simples sentar numa charmosa poltrona e romantizar um complexo trabalho já pronto. Enaltecer o ego como se o dom não precisasse de estudo, de dedicação e abdicação. Me reconhecer como escritora é deleite, claro. Um trabalho que somente tem resultado depois de muito tempo e esforço mental.

Entre linhas eu sempre envelheço sem medo, sem cansar e sem sobressalto de me doar as palavras. Vivo me perdendo para me reencontrar as vezes no final de textos, de livros, de virgulas, mas quase sempre nas reticências que me fazem refletir.

Vivo respirando letras e mais letras, é algo tão valioso, mais do que ontem, menos do que no amanhã. Palavras surgem em horas erradas e somem nas que mais preciso. É normal. Escrevo para aliviar as minhas cargas emocionais, que quase sempre, é a mesma de muitos.

E é nelas que confidencio as minhas paixões, transbordo sentimentos, e que sucessivamente me encontro com um sorriso perdido. Cada momento que consigo traduzir os meus pensamentos é um alívio na alma e todas as vezes que não consigo ser clara, um soco no estômago. Ser escritora é me auto desafiar o tempo inteiro, é criar expectativas, lidar com frustações e viver com um caderninho a postos.

Sou as palavras que definem as minhas certezas, que invadem as minhas reservas e me deixam livres. A cada estrutura de texto uma preparação, cada palavrinha bem inserida é um detalhe que faz diferença. Criar é um processo rico e mais importante de todo o livro. Autoria não é copiar e nem fazer releitura do que já foi posto. Autoria é ser dono do que é seu.

Tem dias que tudo parece dar errado, não há encaixe, palavras cruzadas, sintonia. Tem dias que eu olho para a folha em branco e ela continua em branco. Eu poderia me sentir uma péssima escritora nesses dias. Tem momentos que parece que nenhum esforço vale, que nenhum texto tem sentido, tem os dias das críticas nada construtivas, dos perfis fake, da falta de amor e respeito. Tem os dias de um fadiga indescritível, das dificuldades, das outras tantas atividades.

É fácil jogar a toalha, ignorar os que leem e agradecem [e se identificam!], é fácil culpar os outros pela minha falta de equilíbrio em saber dosar tudo isso, o difícil mesmo é encontrar forças para seguir, se fazer forte e despistar a mediocridade.

Escrevo porque amo e de todas as formações, de todos os trabalhos, de todas os compromissos, eu sou muito mais feliz entre linhas, rabiscos e palavras. Em um papel em branco eu vivo o luxo da simplicidade, faço do jogo de dupla uma dança compassada. Olho para os meus dias e vejo muitas folhas escritas.

O dom se aperfeiçoa insistentemente. É exercício, prática, vontade e desejo. Não é tão simples traduzir olhares e sensações, não é mágica escrever livros, nem as centenas de crônicas que já vieram, mas é uma delícia invadir os corações alheio com bons verbos.

Ninguém nasce pronto, todos enfrentamos desafios diariamente, acreditamos que somos capazes e encontramos pessoas que nos tornam mais confiantes do que já somos, porque assinar no final de cada texto é uma responsabilidade enorme. Obrigada por me ler além das palavras.

Juliana Soledade

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