É medo. É amor. - Irreverência Baiana
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É medo. É amor.

Mal acordei e me entreguei a um livro, horas depois você invadiu o quarto com os olhos marejados, o pijama tão amassado quanto o seu rosto. Ao cruzar o quarto tomei o espanto como meu parceiro, e ao te encarar durante todo o percurso até a cama não conseguia compreender como em uma noite tivesse crescido tanto.

A singularidade dos nossos risos e a procura do que lhe fez esticar em apenas uma noite garantiu os nossos melhores abraços ao rolar pela cama. Precisei contar novamente os seus dedos, olhos, ouvidos… Apenas para ter certeza que tudo continuou no seu devido lugar. Te fiz jurar que não andou pela terra do nunca ou pela cidade das Esmeraldas do mágico de Oz.934169_950977988311316_6843454422477849361_n

Somente um palmo te separa de minha altura, somente um número de calçado difere do meu. Algumas peças de roupas já são encontradas no seu guarda-roupa. Te reconheço na vaidade, nos passos de dança, na sua arte
absurdamente genuína.
A parte alegre de nossa rotina é que sempre abandonamos esse prefixo de mãe x filha. Quando nos tornamos irmãs-amigas criamos a nossa própria língua secreta. Inventamos histórias para comunicar os nossos sentimentos, construímos diariamente o nosso mundo.

Ao passo que me orgulho em ver florescer, desabrochar, sinto o peso da responsabilidade em minhas costas. O temor natural de quem educa, de quem ama, de quem zela.

É medo, é amor. Muito mais amor do que medo.

 

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