A era dos homens mimados - Irreverência Baiana
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A era dos homens mimados

Há tempos venho observando o comportamento de  homens com vinte anos, e meninos com cinquenta. Alguns que abraçam cuidadosamente ocupações com ética e responsabilidade, e outros que vivem se aventurando em todos os segmentos de uma vida. Alguns que adquirem profissão, e outros que colecionam títulos. Alguns que lutam pela família constituída, e outros que brincam de casinha, substituindo o personagem quando se sentem entediados.

Tenho um amigo que, em cinco anos, já teve seis empresas em ramos completamente distintos, em cada uma delas, investimentos altíssimos, para tudo não se passar de uma brincadeirinha de gente grande. Um banco imobiliário da atualidade, mas, claro, tudo com o aval [e dinheiro] dos pais.

O pai de minha filha conseguiu enganar todas as mulheres que teve, e ser ausente na vida de  todos os filhos. Entre um filho e outro (que somam cinco) traições, juramentos e mentiras. Ausente em todas as esferas. Culpa de quem acreditou, e mais culpa ainda de quem ludibriou.

Desde que  a ficha caiu para mim, percebi a que banalização do absurdo se constitui na falta de responsabilidade pelas suas promessas. Nas palavras bonitas, “para inglês ver”, que induzem, instigam e provocam. Homens que continuam brincando unilateralmente com pessoas, sentimentos e compromissos. Homens que querem família e não  se esforçam para lutar por ela. Homens que provocam, manipulam e desdenham, depois apontam para a mulher e a chamam de louca. E como alguém que já foi chamada de louca, permita-me pedir a você, amiga, que se sente aqui e me permita dar-lhe um abraço, dizer que você não é louca!

Uma geração chata, em que os pais continuam a oferecer suporte em todos os desacertos ao longo da vida, é como se eles permanecessem com os braços apontados a cada raladura no joelho com o mertiolate que não arde nas mãos. Pais que superprotegem, anulam a possibilidade de fracasso e os embrulham em plástico-bolha para evitar qualquer possibilidade de machucado.

Uma geração de homens pouco insistentes com suas vontades. Que abandonam financeiramente os filhos, com quem muitas vezes sequer têm convivência, param de pagar pensão porque os avós paternos podem fazer por eles; e se aqueles não assumirem o compromisso, paciência. Uma geração de pais omissos que não cobram a responsabilidade devida aos filhos e assumem como se fossem suas.

Não existem generalizações: vejo homens que arregaçam as mangas, investem nos seus sonhos, constituem família sanguínea ou afetiva, e decolam para um patamar que deveria ser a referência desse século; mas essa não é a sua grande maioria.

Numa linha de comparação muito superficial, percebo que nós, mulheres, travamos lutas insistentes para mostrar não apenas o nosso valor, mas a independência e possibilidade de sermos, também, um sexo forte.

Juliana Soledade

1Comment
  • Laura Lima
    Posted at 17:28h, 03 setembro Responder

    Maravilhoso texto!

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