IV - Irreverência Baiana
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IV

Você não vai se lembrar do jeito que fez pulsar a minha vida. A maneira como você completou meu coração. Eu era fraca e pequena demais antes de ter você, e você me tornou forte e valente de uma forma que nunca conseguirei descrever.
Você não vai se recordar da maneira que eu apaixonadamente observava você em todos os lugares que passamos a frequentar. Você sempre é a princesa de traços finos, pele clara e olhos vivos.
Talvez você não se lembre do jeito que eu te admirava, de suas primeiras traquinagens. Mas eu vi os seus primeiros sorrisos. Eu vi o quanto é generosa.
Nossas almas sempre se alcançaram, muitas vezes eu conversei sozinha contigo, outra apenas nos olhamos e nos compreendíamos. Você vai entender que palavras não é tudo.
Eu quero que você se lembre das inúmeras batalhas de cócegas que tivemos, e preciso te pedir desculpas pelas vezes que fraudei para conseguir lhe abraçar e fazer um ataque de beijos estalados.
Filha, eu quero que saiba das tantas vezes que eu fui para a cama ao dormir sentindo um medo incontrolável no peito por ser mãe, sua mãe. E dos tantos questionamentos que eu fazia alguns eu trago até os seus quase dez anos de vida: será que eu sei educar? Será que estou sendo a mãe que ela precisa? Será que os meus erros serão perdoáveis?
Você nem imagina o quanto meu coração se partiu por não saber responder a cada uma das perguntas, ao mesmo tempo você não para de crescer, assim como a areia cai na ampulheta. Eu me emocionei em silêncio por cada vez que atravessava um marco.
Segurei e acariciei os seus pés em minhas mãos, sem imaginar que um dia eles seriam maiores que os meus, e que também um dia eu vou precisar deixar você seguir o seu caminho da forma que você escolher.
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