Crônicas - Irreverência Baiana
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Era para ser mais uma roupa no armário. Mesmo que escolhida carinhosamente na boutique, jamais haveria possibilidade de imaginar as boas sensações que adviriam daquela peça: era um vestido que tinha superpoderes, sobre quem vestia e quem admirava. Um tubinho preto, que parecia ter sido...

A primeira vez que o amor rangeu os dentes em minha direção eu não me movi. Era platônico, diga-se de passagem, tinha dois anos a menos que quinze. Escondia minhas paixões dentro dos cadernos, com nomes desenhados no interior de corações e olhares envergonhados. Sempre...

Comecei a amar Ipês amarelos a partir Rubem Alves, nunca tinha lido alguém com tamanha doçura e cuidado para falar apenas de uma árvore. Mas não, nunca foram apenas árvores. Embarcava nas suas palavras como se enxergasse fotografias graciosas em minha mente. Caminhando rumo a Catedral...

Era criança e usava um vestido zebrado, e sorria pela alegria de saber que ele crescia junto-com, mas sem ter a menor ideia do que estava por vir. Quando o vestido virou uma blusa e se transformou num trapo, fui obrigada a deixá-lo no canto....

Olá, Jú, Sou eu, ou melhor, sou você lá na frente. As palavras a seguir causarão estranhezas enormes na sua cabecinha, uma dose absurda de descrença e uma frase com exagero deboche “quem você pensa que é?”. Mas recebi o direito de promover todas essas sensações...

No final da década de 80 Papai tinha bigodes horríveis (e eu tinha certeza que ele roçava na barriga de minha mãe), eu nasci tendo que encarar esse rosto mimoso com um tufo imenso abaixo do nariz, ainda quando pequena ele insistia em aparar e...

As manhãs ensolaradas de domingo eram as mais esperadas nas férias, programávamos no dia anterior, sem nenhum outro adulto por perto e sem muitos detalhes, a responsável pelos dias inesquecíveis na infância tinha tudo bem alinhado na cabeça. Tia Fátima não se contentava em carregar apenas...

Era manhã de 13 de julho de 88 quando abri os olhos pela primeira vez no Hospital São Lucas, neste dia a chuva molhou o cacau e o cheiro de barro subiu. Nasci no auge da riqueza sul baiana, onde estávamos no segundo lugar em...

Maria acordou em silêncio, pé ante pé evitar qualquer barulhinho e correu para a cozinha. Esquentou o aipim, cozinhou a banana da terra, fez três ovos mexidos no azeite, preparou o café, organizou toda a mesa com os frios, arrumou os pães, dispôs o suco, colocou...

Maio já aponta no calendário de 2009, com ele o medo e a certeza de seguir adiante.  É comum o meu olhar sorvido de esperança, a minha dor sempre saí como lágrimas silenciosas para não incomodá-la rente ao seu berço. Não encontrei espaços para ressentimentos, muito...