Crônicas - Irreverência Baiana
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Vovô tinha cabelos além de brancos, eram alvos, muito finos e em sua cabeça algumas partes eles já tinham desaparecido. Comecei a cortar o cabelo de vovô quando nem sabia atravessar a rua sozinha. No início desenhava um mosaico em sua cabeça, ele não me...

O meu amor pelo tempo tem sido colocado em questão com frequência. Vive exigindo prazos, metas e apontamentos. Aos 20 te cobram a faculdade, aos 30 uma vida encaminhada profissionalmente, aos 40 a família perfeita, e se nada disso se encaixar no roteiro, o maldito...

Aos sete anos a alta tecnologia que se valia na minha vida era de uma ladeira íngreme, um par de patins com rodas de gel ou com o carrinho de rolimã do amigo. Bicicletas para os passeios mais longos, que não passavam de um bairro...

Nasce uma mãe quando dois riscos no exame da farmácia sinalizam uma gravidez, confirmada pelo ultrassom com os primeiros batimentos cardíacos, a emoção apenas acumula, explodindo no primeiro choro do bebê. Ao abrir de olhos no nascimento de um filho, nasce imediatamente uma empreiteira: - Restaurante delivery,...

Trocar o discurso no desfile de sete de setembro por uma mensagem na internet foi uma das inúmeras bizarrices de nossa presidente. Não satisfeita, fechou o desfile com um muro de aço e se manteve a quilômetros de distância do povo que elegeu. Dada a...

Nasceu? Corre para registrar, e aviso, precisa do documento dos pais, e da declaração do parto. Vacinar? Leva o cartão de vacinas e prepara o remedinho, porque vai ter febre. Vai estudar? Tem fardamento, mochila, quatro fotos 3x4, uma lista imensa de materiais, e lanche...

Era para ser mais uma roupa no armário. Mesmo que escolhida carinhosamente na boutique, jamais haveria possibilidade de imaginar as boas sensações que adviriam daquela peça: era um vestido que tinha superpoderes, sobre quem vestia e quem admirava. Um tubinho preto, que parecia ter sido...

A primeira vez que o amor rangeu os dentes em minha direção eu não me movi. Era platônico, diga-se de passagem, tinha dois anos a menos que quinze. Escondia minhas paixões dentro dos cadernos, com nomes desenhados no interior de corações e olhares envergonhados. Sempre...

Comecei a amar Ipês amarelos a partir Rubem Alves, nunca tinha lido alguém com tamanha doçura e cuidado para falar apenas de uma árvore. Mas não, nunca foram apenas árvores. Embarcava nas suas palavras como se enxergasse fotografias graciosas em minha mente. Caminhando rumo a Catedral...

Era criança e usava um vestido zebrado, e sorria pela alegria de saber que ele crescia junto-com, mas sem ter a menor ideia do que estava por vir. Quando o vestido virou uma blusa e se transformou num trapo, fui obrigada a deixá-lo no canto....