Mais uma vez, o Natal! - Irreverência Baiana
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Mais uma vez, o Natal!

2016 chegou sem permitir ensaios. Começamos o ano tentando nos recuperar de algumas tragédias e estamos encerrando no mesmo ritmo. Como se estivéssemos num círculo e não fechando ciclos para iniciar outro como deve ser. Sendo personagens de uma história de ação cheias de aventuras em busca pela sobrevivência. Estamos concluindo o ano com ares de esgotados.

Um ano de romances despedaçados e de pouca ficção, porém cheio de ensinamentos nas entrelinhas. Um ano em que fomos convidados a pensar sentados no banco da praça com as informações atropelando-nos a todo o tempo: política, dores, economia, desastres, separações… Um processo de amadurecimento na marra. Um ano de altos nem tão altos assim e de baixos ao extremo. Uma teia de perdas onde o equilíbrio da balança foi convidado a bailar conosco.

Orquestramo-nos na fatalidade, nadamos contra a correnteza e cada um seguiu o seu caminho na singularidade. Seguimos tentando o impossível e isso ficou bem claro. 2016, que ano! Estamos chegando aqui no finalzinho com os pensamentos que a nossa vivência foi o melhor exercício da transformação. A melhor prova de que somos transição.

Caminhamos em meio às cegas, avançamos por nossos erros e tentativas, os desafios foram tateados, tivemos resultados com imprevistos, acreditando na possibilidade de sonhar e na necessidade de rastejar. Vencemos: eu, você, nós!

Agora estamos à maioria preocupados com dinheiro para presentes, pela vaga do estacionamento no shopping, as crianças aflitas para receber o pedido da cartinha de Papai Noel. Estamos chateados pelo presente que recebemos no amigo secreto. Estamos maquinando que roupa vestir na noite de natal. Esquecemo-nos de agradar o dono da festa. Jesus definitivamente abortaria o Natal e diria: “Filhinhos vocês tem problemas cognitivos.”.

Não refletimos no momento em que deveríamos refletir. Pouco abraçamos quando o momento é um convite ao abraço. Perdoamos momentaneamente quando ainda não aprendemos sobre o verdadeiro perdão. Carregamos um peso inútil alimentando desamor, enquanto precisamos de tão somente de amor para ser leves.

Nascemos sem querer escalar as nossas montanhas, como se não tivéssemos forças suficiente para executar essa tarefa. Somos responsáveis por nós. Somos co-responsáveis pela bagagem que carregamos entre nascer e morrer. A vida pode ser melhor agora. Seja flor ao invés de dor.

Juliana Soledade

Publicação produzida para o Jornal A Região publicada no dia 24 de Dezembro de 2016

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