Minha sombra - Irreverência Baiana
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Minha sombra

“Se eu tivesse cumprido todas as regras, eu nunca teria chegado em qualquer lugar”. Afirmou Marilyn Monroe, e eu acrescentaria que provavelmente eu não estaria vivendo o combo de sensações que me envolve neste momento.

E então entre os quase mil quilômetros caminhando por dias passamos a admirar a nossa sombra. Às vezes bem comprida desenhando toda a silhueta. Uma marca efêmera e ao mesmo tempo tão comum entre nós peregrinos. A sombra é a nossa companhia diária que registra no cenário muito menos do que nossa pegada.

Todo mundo que pisa por aqui se sente bem em ver apenas o sombreado, apesar de ser apenas um registro fugaz é uma companhia que te enche de esperança para continuar a seguir. É a nossa presença. A mancha preta da silhueta faz parte da paisagem e avançando os quilômetros é como se estivéssemos em profunda comunhão com esse chão, a natureza então é minha também. E eu sou dela.

Caminhar sozinha é bônus, é silêncio, é comunhão. Emudecer nos primeiros dias foi uma tortura, assim que aprendi a conversar com meu corpo, com meus ancestrais e com a própria natureza sem dizer uma só palavra, tudo tomou outro rumo.

Parei para tirar uma foto como essa, na esperança de que vou levar alguma coisa daqui de volta pra casa. Mas no momento em que virei às costas o contorno já é outro. As paisagens já avançaram um pouco mais. E você vai em frente. E perdoe a poesia!

Sozinha num lugar desconhecido, que eu nunca vi e sequer imaginava como seria, mas absurdamente completa: corpo, alma, espírito e coração como um! O meu ano sabático tem sido o melhor dos sonhos.

Lulu Santos ecoa em meus ouvidos: “Nós somos muitos. Não somos fracos, somos sozinhos nessa multidão, nós somos só um coração sangrando pelo sonho de viver”.

Juliana Soledade

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