Quando adormecer é apenas protocolo - Irreverência Baiana
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Quando adormecer é apenas protocolo

As passagens simples carregam uma magia única dentro de si. São os beijos demorados depois da entrega, é o carinho delicado antes de repousar, é o cafuné até depois do sono.

Disseram outro dia: “o encaixe é perfeito”, mas além, “tamanho, dimensão e profundidade”.  E foi diante dos corpos suados a maior testemunha de entrega. O ar condicionado ligado há mais de duas horas mostra que nem ele é capaz de abrandar um vulcão em erupção; o efeito da adrenalina deixa o corpo em desordem, de ambos. Nem o mais potente café deixaria o casal assim, sendo verdadeiros fogos de artifícios.

Para ela, o vital: os movimentos visíveis, a sonoridade, o coração disparado. Para ele, o anelo: um sequestro esperado, a provocação de sensações, o cativeiro para vários desejos. Simples.

Ele contou, seis tremores pelo ventre dela numa única noite e o êxtase nas coxas molhadas. Olhavam-se, e viam sorrisos iluminados capazes de serem duas estrelas cadentes. A urgência da saudade é responsável pela mágica.

Expressivo e apaixonante a face dele, enquanto ela, doce cavaleira galgava novos rumos, antes tão desconhecidos. Conectando uma mística indizível no sorriso e um olhar combinados. Conexos.

Adormeceram assim, como um. Nem um minuto longe do calor do outro, dividindo travesseiros para compartilhar não mais o sonho desse momento, mas a realidade que pairava no encanto. Um desejo febril para continuar a vida exatamente daquele jeito.

A noite seguia encarnada no estado de semi vigília, onde as energias trocadas intensamente garantiram o toque, o prazer e o arrebatamento. O fechar de olhos reproduzia duas almas serenas, suspensas por cordas, bailando sobre suas cabeças.

Dois: sabiam ser pacíficos pelo mundo, e tão frenéticos quando sozinhos. Paradoxo!

Ela acorda: pernas entrelaçadas, pés que se beijam e um olhar de admiração. Nas mãos um carinho tateado pelo corpo, como se estivesse colhendo o pólen para abastecer o néctar. Assim quietos, ela, sorriso de felicidade no rosto, sabe que encontrou seu cantinho no céu.

No momento do adeus a cabeça entra num looping: “eu te quero de novamente”.

Juliana Soledade

Publicação produzida para o Jornal A Região publicada no dia 17 de Dezembro de 2016

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