Se eu pudesse... - Irreverência Baiana
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Se eu pudesse…

Se eu pudesse te falar do que eu vi diria para aguardar as ações transformadoras do tempo. Do nosso tempo. E isso não será o relógio que vai acenar, será o coração. Ele sempre aponta os melhores rumos, os melhores caminhos e as melhores horas. Basta sintonizar o coração com os sentidos. Tenha paciência, às vezes demora um pouco entender os sinais.

Se eu pudesse te falar do que já senti, diria que as relações modernas estão quase falidas. Sim, eu disse quase, ainda existem anjos disfarçados de pessoas, que sempre mostram uma realidade diferente do que estamos acostumamos. Onde mostrar desapego não é tão legal assim, que as mensagens fora de hora destrancam sorrisos amordaçados e que um carinho com as pontas dos dedos na nuca acompanhado de um filme são melhores do que mero sexo sem tesão. Preciso dizer bem baixinho no seu ouvido que uma agenda cheia de relações vazias não alimenta amor, apenas supre a carência e isso é péssimo.

Se eu pudesse te oferecer uma dica, diria para fotografar paisagens por onde andou. Vez ou outra esquecemos o nosso caminho, seja ela alegre ou não, isso é consequência de algumas plantações que fizemos, de algumas escolhas erradas ou de coincidências. A fotografia eterniza, simplifica nossa memória. Ela possui chaves que abrem nossa memória.

Se eu pudesse te fazer um pedido, diria para se livrar de todas as amarras, de todas as dores, de todos os medos gradativamente. De forma que a voz que mora dentro de você consiga falar sem ser atropelada. Para que entenda que essa voz é a coragem gritando a mensagem mais importante: “vai e encare o mundo”. Vá para a pista sem saber dançar; observe todos os impulsos elétricos de um olhar; escute pacientemente e se entregue. A entrega é a mais pura e deliciosa falta de vergonha que precisamos ter.

Se eu pudesse te sacudir, sacudiria dizendo “se perca!”. É importante se perder na caminhada, perder a cabeça, perder as recordações doloridas e perder a hora de acordar. Se perca na taça de vinho, no beijo interminável e no silêncio.  Se perca da rota cotidiana, dos hábitos, das culpas e das impossibilidades. É necessá
16298672_1227863700622742_7720664752754463221_nrio se perder no sexo sem culpa e com sentimento, na gargalhada desenfreada e do excesso de problemas.

Se eu pudesse te instruir, aconselharia ao caminho da luz, do perdão do autoconhecimento. Conheça a energia que corre em tuas veias e exala por teus poros. Como no aforismo “conhece-te a ti mesmo”, somos as quatro estações, a alegria e a dor, o céu e o inferno, o antídoto e o veneno. Somos tudo. Ambíguos.

Juliana Soledade

Crônica produzida para o Jornal A Região publicado no dia 28 de Janeiro de 2017.

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