V - Irreverência Baiana
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V

Enquanto você começa a se adaptar do lado de cá, nós começamos a se adaptar contigo ao nosso lado. Tão miúda e tão potente. Pequenina, mas já conheceu as idas sem retornos. Saberá com o passar dos tempos que uma casca grossa pode esconder um mar de rosas sem espinhos, que os venenos podem ser transformados em antídotos, o amor sempre transforma, e também sempre dói, por vezes na mesma intensidade.

Em tudo, Maria, é preciso compreender que nunca poderei pintar o teu céu de cor de rosa, por vezes ele será cinza, outras chuvosos, e noutras ensolarado. O fato de não ser tão bonito significa que perfeição não existe. Os nossos sonhos estão na nossa entrega e você pouco a pouco fará experimentos de sua vida. A experiência é sua única forma de avançar. As suas dores te farão forte, e os seus amores te farão segura, ou não.

Sair do meu ventre é decifrar que batalhas serão vencidas, que o meu seio será o teu conforto, o meu colo seu refúgio. Muitos braços te acalentarão, nunca longe dos meus olhos, o zelo que despejo sobre sua pequenez é o contorno da minha esperança, da raiz materializada. Sentirá meu coração descompassado ao se alimentar e assim escutar baixinho a minha voz agradecendo a sua existência.

Maria, este seu nome agora está registrado no universo, terá o seu signo, o seu registro, a sua estrada. O seu destino está sim sendo construído, depois do colo, seguraremos uma a mão da outra para seguir, entre medo, fé e insegurança.

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