VI - Irreverência Baiana
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VI

Maio já aponta no calendário de 2009, com ele o medo e a certeza de seguir adiante.  É comum o meu olhar sorvido de esperança, a minha dor sempre saí como lágrimas silenciosas para não incomodá-la rente ao seu berço.

Não encontrei espaços para ressentimentos, muito embora seu pai tenha escolhido outra vida para conquistar.  Serão muitas histórias encantadas para disfarçar o vazio que ficou na casa, apesar desse espaço já existir antes mesmo de sua partida. Desde março, somos duas, inteiras e valentes.

De repente, ao abrir os olhos, você me enxerga e sorri, acaricio a sua face e os olhinhos se fecham lentamente. Sei que entre os seus sonhos não há medo, tampouco dor. Alimentamos um cenário de paz.

A dor da partida do seu pai não me deixou levar a canto algum movida pelo ódio. Tinha você entre os meus braços, e isso era tudo. Assim como Adélia Prado, a felicidade me consumia, e eu não tinha tempo de pensar em abandonos. Sem lamentos. Somos duas, entre lágrima e suor.

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